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segunda-feira, 7 de maio de 2018
domingo, 6 de maio de 2018
Prelúdio - "MÃE-NEGRA", de Alda Lara
![]() |
| Obra de Bill Moomey |
Prelúdio
Pela estrada desce a noite
Mãe-Negra,
desce com ela...
Nem buganvílias vermelhas,
nem
vestidinhos de folhos,
nem
brincadeiras de guisos,
nas
suas mãos apertadas.
Só
duas lágrimas grossas,
em
duas faces cansadas.
Mãe-Negra tem voz de vento,
voz
de silêncio batendo
nas
folhas do cajueiro...
Tem voz de noite, descendo,
de
mansinho, pela estrada...
Que é feito desses meninos
que
gostava de embalar?...
Que é feito desses meninos
que
ela ajudou a criar?...
Quem
ouve agora as histórias
que
costumava contar?...
Mãe-Negra não sabe nada...
Mas ai de quem sabe tudo,
como
eu sei tudo
Mãe-Negra!...
Os teus meninos cresceram,
e
esqueceram as histórias
que
costumavas contar...
Muitos partiram p'ra longe,
quem
sabe se hão-de voltar!...
Só tu ficaste esperando,
mãos
cruzadas no regaço,
bem
quieta bem calada.
É a tua a voz deste vento,
desta
saudade descendo,
de
mansinho pela estrada..
Alda Lara
Lisboa, 1951 (Poemas, 1966)
sexta-feira, 5 de maio de 2017
Mãe é...
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'
sexta-feira, 3 de maio de 2013
domingo, 6 de maio de 2012
Para sempre...MÃE!
![]() |
| Maternidade - Almada Negreiro |
Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
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